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Parlamentar

17/03/2009 | 12:58

Empresários e trabalhadores apontam medidas para enfrentar efeitos no RS

Na avaliação do deputado Adão Villaverde (PT), vice-presidente da Comissão de Economia e Desenvolvimento Sustentável, o Legislativo gaúcho está cumprindo com o seu papel mediador, colocando no centro da agenda política o debate sobre os reflexos da crise mundial no Rio Grande do Sul. “A intenção é sair desse processo com um programa que possa resistir aos seus efeitos e retomar a capacidade da geração de emprego e renda”, opinou Villaverde, na noite de segunda-feira (16), em Caxias do Sul, durante a primeira reunião conjunta das comissões de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo; Economia e Desenvolvimento Sustentável; Finanças, Planejamento, Fiscalização e Controle; e do Mercosul e Assuntos Internacionais para debater o tema. A iniciativa é da presidência do Parlamento gaúcho e das quatro comissões, com o apoio do Fórum Democrático de Desenvolvimento Regional.

Representantes de entidades empresariais e de trabalhadores sugeriram a redução das taxas de juros, a diminuição da carga tributária, o acesso ao crédito e a manutenção dos postos de trabalho como alternativas para minimizar os efeitos da crise mundial na economia do Rio Grande do Sul.

Conforme o presidente da Comissão de Economia, Heitor Schuch (PSB), que coordenou a reunião, essas e outras propostas serão sistematizadas para audiência final, prevista para o dia 27 de março, no Plenário 20 de Setembro do Legislativo gaúcho, com a presença de lideranças empresariais e de trabalhadores, secretários de Estado e a participação já confirmada da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Para o parlamentar, o encontro desta segunda-feira mostrou que tanto empresários como trabalhadores concordam com as reduções das taxas de juros e da carga tributária. “Isso foi unânime entre os participantes, pois para dar oxigênio à economia precisamos dessas e outras alternativas”, comentou Schuch que também representou o presidente do Legislativo, deputado Ivar Pavan (PT).

O diretor do Fórum Democrático, Luís Fernando Schmidt, afirmou que o objetivo principal dos debates é fazer um diagnóstico preciso sobre as repercussões e os efeitos da crise mundial nas diferentes regiões do Estado. “Todas as propostas, consensos e divergências estarão neste documento entregue à ministra Dilma Rousseff. Caberá aos governos federal, estadual e municipais, respeitando seus potenciais e ideologias, decidir o que será prioritário para ajudar a minimizar os efeitos da crise mundial”, observou. Na opinião de Schmidt, o levantamento irá impulsionar os governos a dar respostas e tomar soluções mais rápidas e eficientes contra os reflexos negativos da crise.

Debate

O diretor de Economia, Finanças e Estatística da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC), Mauro Corsetti, explicou que a redução do crédito, provocada pela ameaça de risco e a falta de credibilidade no sistema bancário internacional, foi um dos principais fatores da crise. Para ele, o corte nos investimentos é decorrente das elevadas taxas de juros. “É inviável vencer a crise e impulsionar a economia com taxas tão altas. Precisamos urgentemente reduzir as taxas de juros, os impostos e as despesas de manutenção da máquina pública”, alertou. Com essas medidas, Corsetti acredita que as empresas continuarão investindo e poderão manter os empregos dos trabalhadores. Na mesma linha, o representante da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Getúlio Fonseca, defendeu a desoneração da folha de pagamento e o fortalecimento das empresas.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do RS, Celso Woyciechowski, afirmou que é preciso observar as causas da crise e a partir disso traçar alternativas econômicas e sociais direcionadas à geração de renda e ao desenvolvimento. Entre as medidas sugeriu o financiamento da produção e do consumo; a manutenção dos empregos e da atividade econômica; a rediscussão da matriz tributária; a revisão da política de incentivo do Fundopem e mudanças na matriz tributária com a valorização da agricultura familiar. “Precisamos envolver o Estado, empresários e trabalhadores nessa construção. O Estado deve ser o indutor do desenvolvimento econômico e social, priorizando a preservação dos empregos e da renda”, enfatizou Woyciechowski.

O representante da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), Guiomar Vidor, concordou com o presidente da CUT e reafirmou a necessidade de conjugar esforços entre empresários, trabalhadores e setor público. Ele também defendeu a redução das taxas de juros. “Não é mais permissível que o Brasil tenha uma das maiores taxas do mundo”, disse. Apontou ainda como medida a valorização do poder de compras do assalariado.

A deputada Marisa Formolo (PT) entregou um documento da bancada do PT com 22 sugestões com o objetivo de preservar a economia e os empregos dos gaúchos. No rol de sugestões está, além de benefícios fiscais e creditícios, a recuperação do Simples Gaúcho, a realização de um PAC estadual e o direcionamento de benefícios para a cultura do trigo.

O deputado Raul Pont (PT), que representou a Comissão de Finanças, disse que o mundo está vivendo uma crise cíclica típica do capitalismo. Para o petista, o momento deve ser enfrentado com a garantia de empregos e do poder de consumo. As empresas e unidades de capital não devem apostar no corte de gastos. Pont sugeriu a criação de um banco de microcrédito como uma forma concreta para amenizar a crise.

Também participaram do evento o presidente da Câmara dos Vereadores de Caxias do Sul, Édio Elói Frizzo; o secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Emprego de Caxias do Sul, Guilherme Sebben; o reitor da UCS e presidente do Corede/Serra, Isidoro Zorzi; representantes da Força Sindical; do Movimento dos Desempregados, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da região, entre outros.

Participaram também os deputados estaduais Kalil Sehbe (PDT) Paulo Azeredo (PDT) e Alceu Moreira (PMDB) e o federal Ruy Pauletti (PSDB).

* Com Daniela Bordinhão/Agência de Notícias


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