Parlamento próximo da sociedade
18/08/2009 | 12:36
Os últimos acontecimentos relacionados ao esquema de corrupção no Detran e revelados pela Operação Rodin levaram os gaúchos à perplexidade. É a maior crise política da história recente do Rio Grande do Sul. A gravidade dos fatos é indiscutível, assim como a correção da decisão de instalar uma comissão parlamentar de inquérito na Assembleia. A CPI será fundamental para ajudar a dar conhecimento a toda a sociedade gaúcha sobre a extensão dos problemas. Tenho a convicção de que a mesma será conduzida com a maior seriedade pelos deputados que a compõem. A sociedade gaúcha tem o direito de saber a verdade.
Como presidente, não me cabe estabelecer um julgamento prévio em torno dos temas que serão alvo da investigação parlamentar. No entanto, as informações obtidas a partir da ação do Ministério Público Federal sinalizam para um outro problema também da maior gravidade que não pode passar despercebido: a deterioração da qualidade das autoridades do nosso Estado nos últimos anos. A leitura da transcrição das conversas telefônicas entre os cidadãos, de altos dirigentes estaduais, revela a ausência total do interesse público, uma completa desqualificação, um verdadeiro desrespeito à cidadania, a ausência de vocação para a atividade pública.
Diálogos que sugerem a divisão de recursos em telefonemas dados às vezes de dentro do próprio Palácio Piratini e de outros órgãos públicos são abundantes nas 1.238 páginas da denúncia do MPF. Conversas permeadas por palavrões, intrigas e maledicência.
Quem quer que leia uma parte sequer deste extenso documento pode constatar que a gestão pública de nosso Estado está contaminada por um grande desprezo não só do interesse público como também por regras mínimas de boa educação.
Esse tipo de comportamento nos permite compreender o desgaste da imagem das instituições políticas junto aos cidadãos.
Independentemente do resultado final da CPI e das investigações do MP e da Justiça sobre os atos de corrupção, não tenho dúvida de que a sociedade deve condenar duramente esta total falta de responsabilidade e espírito público revelada por autoridades de nosso Estado. Essas constatações fortalecem a nossa convicção de que uma tarefa central dos cidadãos e dos políticos responsáveis de nosso Estado e de nosso país é a de trabalhar pela renovação dos representantes do povo e dos gestores públicos.
Presidente da Assembléia Legislativa
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