Parlamento próximo da sociedade
01/06/2009 | 14:11
A sociedade gaúcha precisa de esclarecimentos urgentes sobre as denúncias que envolvem o governo do Estado. Essa situação, se não enfrentada corretamente, gera instabilidade política no governo exatamente num momento de dificuldades aguçadas pelos reflexos da estiagem e também pelos impactos da crise mundial. A sociedade precisa tomar conhecimento imediatamente do que está ocorrendo, na medida em que são vários inquéritos e processos em andamento.
Sem os necessários e convincentes esclarecimentos, a cidadania deixa de confiar nas instituições, o que não é nada saudável diante do processo recente de consolidação democrática em nosso país.
Esse quadro adquire contornos de uma crise que, além de paralisar ações de governo, fragiliza a relação entre o Estado e a sociedade. Entretanto, o encaminhamento político dessa situação não se resolve numa simples equação do tipo oposição x governo, na medida em que os fatos e as suas consequências não estão somente sob a governabilidade do governo estadual e da Assembleia Legislativa.
Acordos políticos que impeçam o devido esclarecimento dos fatos ou, mais grave, combinem a antecipação de entendimentos partidários, visando às eleições de 2010, são o pior caminho para solucionarmos a grave situação colocada. Não estaríamos, com isso, encontrando uma solução estabilizadora para a sociedade nem restaurando a capacidade de exercício do bom governo.
O RS exige dos seus dirigentes políticos e interlocutores gestos compatíveis com a gravidade do momento, evitando que as discussões percorram o caminho da mera partidarização. As condições políticas colocadas não se prestam nem para oportunismo nem para omissão. A clareza contribui com a democracia, e a verdade deve vir a público.
A situação exige ações de transparência e esclarecimentos ou estaremos gerando incertezas, aprofundando a instabilidade e frustrando as expectativas da sociedade e de seus representantes.
É hora de preservar o Rio Grande do Sul de mais nebulosidades. É importante que poderes e instituições busquem saídas institucionais que coloquem os interesses do Estado em primeiro lugar. Isso exige maturidade e responsabilidade para superar este cenário de dúvida e desconfiança. O parlamento pode e deve colaborar nesse objetivo.
* Presidente da Assembleia Legislativa
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