Crise: a queda do segundo muro

12/02/2009 | 10:11

Mesmo que o Brasil esteja muito melhor preparado para as turbulências da economia mundial, estamos sentindo os reflexos da crise, manifesta na perda de empregos, encolhimento dos orçamentos dos municípios, estados e União e na redução da atividade produtiva em vários setores.

Mas temos que observar o seu simbolismo. Ela tem o mesmo caráter e significado da queda do Muro de Berlim, há duas décadas, que simbolizou a decadência de um modelo. O desmoronamento do estatismo total criou condições para o ressurgimento do modelo neoliberal, do mercado total como alternativa exclusiva de desenvolvimento.

Defensores deste modelo anunciaram o fim da história, já que os mercados garantiriam a estabilidade e o progresso da humanidade. Os que ousavam discordar, propor outra alternativa, eram tidos como retrógrados, atrasados, pré-históricos. Assim, o neoliberalismo se fortalecia no mundo e, especialmente, na América Latina. No Brasil e no Rio Grande do Sul, esta alternativa implicou o desmonte do Estado e a fragilização do poder público em produzir políticas.

Passadas apenas duas décadas, o modelo do mercado total, tido como o único a garantir a estabilidade e o progresso, entra em colapso.

Mesmo os mais radicais paladinos do mercado total, que diziam que o Estado era um entrave para o desenvolvimento, agora pedem socorro aos governos, sem nenhum constrangimento. E, novamente, bilhões em recursos públicos são destinados para resolver seus problemas.

Como se trata da crise de um modelo, o Parlamento Gaúcho também está desafiado a buscar alternativas e a debater qual será o papel do Poder Público no próximo período.

Diante do contexto de crise do modelo baseado no mercado total, o Parlamento não pode eximir-se de debater questões como: o papel do Estado na elaboração, financiamento, execução e fiscalização das políticas públicas; a importância do Estado no processo de desenvolvimento; as prioridades dos governos no enfrentamento da crise.

É urgente um grande debate com empresários, trabalhadores, poder público e outras organizações da sociedade, para analisar com profundidade os impactos nos diferentes setores e construir alternativas. É inadiável que o Parlamento, como espaço legítimo de discussão da política, assuma a responsabilidade de fomentar ações, projetos, eventos e iniciativas que previnam e busquem o enfrentamento à crise. É inadiável, também, que a Assembleia Legislativa se fortaleça para influenciar na definição das ações prioritárias dos governos.

Ivar Pavan é presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul

Por Ivar Pavan.


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Debate

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Comentários

Ivete Maria Didolich Grün

24/02/2009 | 08:57

Parabéns Dep.Ivar pela função que assumiste na Assembleia. Espero que todos os parlamentares façam a reflexão séria e comprometida socialmente falando sobre essa crise e saibam propor importantes rumos para todos os gaúchos e gaúchas e,até mesmo, para o Brasil!

Lucas Machado

17/02/2009 | 10:36

Caiu o muro da mentira, da exclusão, da produção da violência e da pobreza.. o colapso do sistema financeiro representa a queda de uma forma de fazer política econônima anacrônica, que na última década aniquilou esperanças e ruiu o Estado Social e Democrático. É o momento de fortalecer as bases.. Fortalecer a luta desde de baixo!

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